Comentários Pós-Palestra: Olá, Stela e Ana:
"É impossivel haver criatividade em um mundo determinado a priori". Em Prigogine: "(...) a idéia de que o acontecimento e a criatividade seriam feitos humanos, parece-me discutível. O homem não é o pai do tempo nem da evolução. Ele é o seu produto. (...) Sabemos hoje em dia que a criatividade está ligada à irreversibilidade, à quebra de simetria temporal, através da qual o futuro e o passado desempenham papeis diferentes. As reações químicas ou nucleares são irreversíveis. Dissipam energia (Prigogine. 2004:23-24).
A criatividade nessecita de liberdade e liberdade exige responsabilidade e a responsabilidade diálogo consigo, com o outro, e a vida. Antoine de Saint Exupery diz: "Voce é responsavel por tudo aquilo que cativa".
Peirce defende a mudança de habito para haver crescimento. A mudança de hábito passa pela liberdade e pela possibilidade de olhar ao redor em busca do novo.
"Fique entendido, então, que o que temos a fazer, como estudantes de fenomenologia, é simplesmente abrir nossos olhos mentais, olhar bem para o fenômeno e dizer quais são as características que nele nunca estão ausentes, seja este fenômeno algo que a experiência externa força sobre nossa atenção, ou seja o mais selvagem dos sonhos ou a mais abstrata e geral das conclusões da ciência" (Peirce apud Ibri.1992:5).
"A razão ou o geral governa, pela sua capacidade de representação, todos os acontecimentos e está, por conseguinte, em constante processo de crescimento: Ela precisa estar num estado de insipiência, de crescimento. A razão é um processo e exige o mundo fenomênico em processo, como também exige a totalidade da vibração do sujeito para sua realização: Ela exige todos os matizes das sensações, inclusive o prazer de seu lugar entre as outras coisas." (Silveira.2007:131)
A liberdade, portanto, é a chave das mudanças que ocorrem por meio da criatividade. "Peirce não somente explica a função última da Razão no universo como também constitui um quase poema do destino do Homem na totalidade do Real. Como propõe o Pragmatismo de Peirce, o pensamento é ação criadora e em verdadeiro hino à reconciliação universal. A ciência é profundamente ética e finalmente poética. (...) ela exige todas as matizes das sensações, inclusive o prazer de seu próprio lugar entre as outras coisas. (...) Se a razão não se esgota em nenhuma de suas realizações, ela é ação e, como tal, é afirmativa e deve manifestar-se: A criação do universo, (...) que prossegue hoje e nunca terminará é o próprio desenvolvimento da razão. Ultrapassando os limites da individualidade, a razão constitui-se no trabalho e na realização total da humanidade e, conseqüentemente, de cada indivíduo. (Peirce apud Silveira 2007:130)
A poesia de William Blake: “Existem coisas conhecidas e coisas desconhecidas. Entre elas existem portas. (...) O que hoje está provado, ontem era apenas um sonho. (...) Se as portas da percepção fossem abertas tudo pareceria ao homem como realmente é infinito.”
A partir das ideias de liberdade, responsabilidade e criatividade pergunto para minhas amigas professoras de arte:
Como é possivel preparar um curso de arte sem correr o risco de quebrar a liberdade, e, portanto, direcionar a criatividade?
Essa atitude não inviabilizaria o processo criativo?
Bjs, Heloisa Leão.
Escrito por Ana Maria Guimarães Jorge às 11h36
[]
[envie esta mensagem]

|